Manaus (AM) – A Polícia Federal (PF) abriu nove procedimentos para investigar possíveis incêndios criminosos no Amazonas em 2026. As apurações envolvem sete municípios e incluem análise de imagens de satélite, coleta de informações junto a órgãos públicos e previsão de sobrevoos para identificar possíveis pontos de origem do fogo.
Até 16 de outubro, o Amazonas registrou 8.084 focos de calor, alta de 120,03% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 3.674 registros. Os dados indicam o aumento das ocorrências, mas não comprovam, isoladamente, que houve crime ou identificam os responsáveis.

PF monitora ocorrências e apura possíveis crimes
As investigações abrangem Autazes, Careiro Castanho, Careiro da Várzea, Manaquiri, Manaus, Iranduba e Canutama. A PF acompanha semanalmente os alertas de satélite e solicita informações a órgãos federais, estaduais e municipais para esclarecer as causas dos incêndios.
Entre 2023 e 2026, a unidade responsável relatou 516 inquéritos relacionados a crimes ambientais, dos quais 11 tratavam especificamente de incêndios. No mesmo período, 228 pessoas foram identificadas como possíveis autoras dos fatos investigados e 113 foram indiciadas; atualmente, 186 inquéritos ambientais permanecem em andamento.
A PF também trabalha em cooperação com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com troca de informações e apoio técnico para acompanhar ocorrências, fiscalizar áreas e investigar possíveis crimes ambientais.
Sul do Amazonas concentra focos de calor
Apuí liderava o ranking estadual em meados de outubro, com 1.009 focos de calor, seguido por Novo Aripuanã, com 882, e Lábrea, com 750. O Sul do Amazonas concentrava 47,23% dos registros estaduais, enquanto municípios do entorno de Manaus reuniam outros 25,93%.
No assentamento Rio Juma, em Apuí, foram registrados 571 focos de calor em 17 de outubro. O número representava 56,59% das ocorrências do município e 7,06% do total estadual informado no levantamento. O assentamento tem 689 mil hectares e 6.331 beneficiários cadastrados no sistema do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A fumaça das queimadas também prejudicou a qualidade do ar na capital amazonense. Em 17 de outubro, Manaus registrou índice de qualidade do ar de 531 pontos, classificado como perigoso, e concentração de partículas finas PM2.5 de 341,1 microgramas por metro cúbico. Após as chuvas, em 20 de outubro, a concentração caiu para 23,8 microgramas por metro cúbico.
As partículas PM2.5 podem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. As investigações da PF buscam esclarecer as causas das ocorrências e identificar possíveis responsáveis pelos incêndios no Amazonas.